sexta-feira, 3 de julho de 2009

Trabalhar,mas nem tanto...



Minha mãe sempre dizia que o trabalho enobrece o homem. Minha vó dizia que em terra de bom homem, quem não trabalha, não come. Meu pai dizia que homem parado ,oficina do diabo.Minha tia batia no peito com orgulho pra contar que levantava antes das 5 da manhã e ia dormir antes da meia-noite trabalhando fora e dentro de casa sem parar. Meu marido acha normalíssimo trabalhar 10 horas por dia, mais algumas horas por noite e finais de semana inteiros, sacrificando o que gosta de fazer; e acha mais normal ainda passar anos e anos sem férias. Meus professores diziam que o trabalho é necessário em toda e qualquer sociedade, e que sem ele nada teria sido possível, principalmente o Capitalismo. As pessoas na TV, nos jornais e nas ruas reclamam que sem um emprego não podem levar uma vida digna.
E tudo que eu penso é que na verdade tudo isso é uma grande enganação, uma balela, um absurdo, um conceito que nos foi enfiado desde sempre goela abaixo, e que aprendemos a comer como prato saboroso todos os santos dias. Na verdade, trabalhar é um saco. Uma arbitrariedade. Uma ditadura. Um sufoco. E, nesse mundo louco, não trabalhar é pior ainda - isso é que é uma verdadeira cilada.Não se trata de rejeitar o trabalho em si. As pessoas precisam de atividade constante. Pra isso temos polegares opositores e um cérebro pretensamente desenvolvido. A atividade permite que criemos coisas, que transformemos a natureza, que nos tornemos ainda mais inteligentes e sábios. A atividade é o que mantém o mundo funcionando. Mas trabalhar com tantos horários, padrões, sacanagens explorativas, injustiças financeiras, chefes folgados e/ou imbecis e tanta mediocridade é que mata. Tenho certeza que não era essa a intenção inicial de tudo. Houve um desvio. Ideologias e mais ideologias que já foram mais que introjetadas nos fazem trabalhar como loucos e ainda agradecer por isso, como se fosse um grande pecado reclamar de ter um emprego quando tanta gente precisa de um. Mas essa culpa eu tenho deixado de lado pra repensar o que eu estou fazendo da minha vida ligando esse piloto automático. Como dizia o Chico, Deus lhe pague, porque eu, dispenso. ( Quem não conhece a música, por favor, clique neste linkezinho, é algo, assim… Fundamental. )Não se trata do discurso de moça preguiçosa. Não imagino a minha vida sem um trabalho, e trabalho MUITO, mas muito mesmo, desde os tenros anos de adolescência. E ainda levo uma vantagem sobre a grande maioria das pessoas: amo o que faço, adoro a profissão que escolhi e me esforço sempre pra enxergar o lado bom de todas as coisas. E tenho duas férias por ano. E em um dos meus empregos sou funcionária pública. E não tenho o pior dos salários. E não padeço muito de rotina. E trabalho com seres humanos da melhor qualidade, tanto as minhas colegas de trabalho quanto aquelas crianças lindas. Mas, mesmo assim, tenho sentido uma vontade enorme de reclamar, reclamar e reclamar dessa vida margarida. Hoje, mais velha, com menos paciência e cada vez mais cri-cri, tenho pensado muito até que ponto vale a pena entrar de cabeça nessa roda-viva. Cadê o tempo de sentir o sabor da comida com calma na hora do almoço? De acordar devagarinho depois de pelo menos 6 horas de sono tranquilo? Cadê a hora de me divertir? De ler um livro, ver um filme, curtir minha casa, passear? De ir ao médico, de resolver coisas com tranquilidade? Cadê a minha dignidade em não engolir todos os tipos de sapos por conta de um emprego? Cadê o tempo de telefonar, mandar mensagens, estar com a família e queridos, sair com as pessoas? Cadê as prioridades que realmente deveriam ser prioridades? Cadê o direito de mandar na minha própria vida? Será que não estou deixando isso tudo ficar cada vez mais massacrado debaixo dos apertos cotidianos e do cansaço que me fica nas horas pseudo-livres? Quero isso pra mim, não.Vai valer a pena me matar de trabalhar pra satisfazer os pequenos luxos e sonhos consumistas que aprendemos a ter, esquecendo dos meus pequenos prazeres? É pra isso mesmo que eu estou por aqui? Não posso me acostumar com isso. Não desce, não dá. Me incomoda profundamente. E não consigo engolir esse papo de que “é assim mesmo”.Tenho medo do que vai virando normal nessa vida. Tenho medo de acabar achando normal trabalhar o dia todo, 5 dias por semana, 11 horas por dia, e ainda dedicar horas do meu tempo em casa pro mesmo trabalho. Tenho medo de voltar a fazer o que eu fazia anos atrás, quando eu fiquei doente, achando normal trabalhar dia e noite só pra conseguir uns trocados a mais. Fico pensando quanto vale o show. Quanto vale a minha saúde, o meu prazer, o meu humor, a minha sensação de bem-estar e de que não estou passando em branco por aqui.
O grande e sábio Seu Madruga é que tinha razão. No fim das contas, não existe trabalho ruim. Ruim é ter que trabalhar. Tsc.


*Perdoem o post ENOOOORME!Se quiser não leiam...que trabalhão!

10 comentários:

Elaine disse...

Olá!
Mari, estou retribuindo a visita e as palavras gentis.
Engraçado como a gente acaba encontrando blogs bons pulando de blog em blog, né?
Seja sempre benvinda e volte sempre.
Beijos e fique com Deus.

EXAGERADO disse...

Oi,mana

Seu Madruga é um filósofo:"Não há trabalho ruim;ruim é ter que trabalhar" rsrs
Mas,não adianta chorar...tem que ser assim...mas,podemos diminuir o ritmo...eu faço assim,vc sabe!

Beijão

Rodrigo disse...

Oi,querida Mari

Todo mundo reclamando de tempo,de falta e tempo,de trabalho de 'sem" trabalho....é a vida,filha!rs
Juro que li seu post todinho e adorei!

Beijos

Carol disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Evandro Varella disse...

Ei Mari,
Como tá bonito aqui heim!
Vi teu comentário lá na bonequinha que também escreveu sobre o mesmo tema.
Ultimamente acho que estamos todos percebendo com mais clareza essa espiral maluca que nos metemos. Ando, assim como você, tentando abordar essas questões. Acho que escrever é um bom passo pra entender o que está acontecendo. Enfim,o tema é fabuloso e sua abordagem está ótima!

Abração

Lucia Cintra disse...

Eu acho o sequinte: tudo em excesso faz mal! Tem que haver um balanco, mesmo qdo trabalhamos com algo que amamos.

Eu nao suporto meu emprego, da vontade de chorar todo dia qdo levanto da cama pra ir trabalhar.

Devido a isso, realmente reavaliei o que quero fazer da vida,consegui me achar e ja estou agindo pra conquistar o que quero.

Acho que fazer algo que nao gosta, que nao te completa ou te satisfaz, a maior perda de tempo que existe! A vida eh curta demais, pra que perder tempo fazendo algo que odeia? Nao e nao! Cansei!!! Quero fazer algo que amo senao nao vale a pena viver!

Bjos

Bonequinha de Luxo disse...

Oi,querida

Combinamos o tema???Mas,é isso.O meu problema é falta de tempo,menina...
Seu blog tá mesmo um "Doce Cantinho"...lindo!!

Beijocas

O Profeta disse...

Haverá?! Há sempre uma deusa perdida
Nos labirintos da contradição
Há sempre alguém que usa a palavra amor
Soprando doce veneno ao coração
Há sempre alguém que nos diz coisas tontas
Há sempre alguém que afugenta a Saudade
Há sempre alguém que nos marca a ferro frio
Há sempre uma alma ausente da verdade

Boa semana


Doce beijo

Miss May disse...

Oi,Mari

Seu doce cantinho é lindo!!Descanse mais e aproveite -o!!!

Convido-a a vir conhedcer meu bog!!

beijos

Jane disse...

Concordo, tudo isso foi enfiado na nossa cabeça e a questão é que vivemos para trabalhar.
Qd eu posso ficar em casa cuidando de mim, da casa, me sinto tão bem, feliz...
Assim como vc eu amo que o q faço, mas tantas vezes já me peguei pensando que eu só queria uma casa no campo e uma vida mais simples.

Assino em baixo do seu texto. E sabias palavras do Seu Madruga.
Falando nele, tenho um colega que gostava de brincar de trocar os ditados e em vez dizer "Deus ajuda quem cedo madruga", ele dizia: "Deus ajuda o Seu Madruga."
Hehe